Desabafo da professora em construção

A escola que oferecemos para nossas crianças hoje ( e para nós, professores) está distante de ser aquela que todos realmente merecemos.
É desolador quando a gente se dá conta de que não pode fazer muita coisa com as condições que se tem. Eu fico decepcionada quando a minha aula não desperta em mim, e nem nos meus alunos, o prazer que ela deveria proporcionar_ e que eu sei, apesar da baixa estima que isso causa, que sou capaz de realizar.
O sistema de ensino não está preocupado com a qualidade. É mentira tudo o que dizem. É fácil criar metas e culpar o professor quando elas não funcionam. Todos culpam o professor! O sistema, a gestão escolar, as famílias, os alunos, e até os próprios professores culpam indiscriminadamente seus colegas, quando vêem o insucesso destes em algumas situações.
Eu estou construindo o meu "ser professora". As bases nas quais eu comecei essa construção privilegiavam essencialmente o humano (humano-educador e humano-educando). Infelizmente, quanto mais a gente se aproxima do sistema,menos humana a educação vai ficando... e nós também. Não me sinto muito humana quando preciso manter a "ordem" na minha sala de aula com 36 alunos de 5 anos. Eles não precisam dessa "ordem", eles não precisam ficar inertes nas cadeiras. Mas como permitir que eles sejam livres para se expressar sem que um não esbarre no outro e se machuque, ou como permitir que eles conversem e se socializem, sem que suas 36 bocas, seus 72 pés e mãos produzam um grande barulho, dentro do cubo da sala de aula, que torne selvagem qualquer comunicação?
Os sistemas de educação, cada vez mais, elaboram, apoiam e se apropriam das teorias modernas de educação, das novas filosofias de aprendizagem. Todas elas, em suas falas, trazem o que há de mais bonito quando tratam da educação. Mas a realidade da sala de aula não é muito poética. O educador, na maioria dos momentos da sua rotina, assemelha-se mais a um general ditador do que a um mestre. Ainda assim, é possível, encontrar poesia, porque aquilo que realmente é humano dentro de cada um deseja tanto brotar que encontra saída nas fendas das dificuldades cotidianas que nos petrificam.
No entanto, muitas soluções podem existir, antes que demos a educação como causa perdida. Eu já ficaria feliz se fosse respeitado o número máximo de alunos por sala (25 na educação infantil, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais) ou se tivesse uma auxiliar na minha sala...rsrs. Eu vejo aqueles rostinhos todos e sei que não vou conseguir atender todos eles do jeito que merecem. Depois, não sabem porque a qualidade da educação está decaída. Não se resolve o problema da educação abarrotando as salas de aula. ELEs não estão muito preocupados com isso... Bem, eu estou. Porque o problema é todo meu.

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