Onde estão os vaga-lumes?
Quando eu era criança, divertia-me a caçar vaga-lumes. Bastava o sol dar lugar à lua para que surgissem essas criaturas luminosas e encantadoras, saindo do mato que cobria a calçada da rua e o morro próximo. A noite se iluminava com essas estrelas voadoras, que nos permitiam alcançar e tocar com as mãos. Satisfazíamos o desejo de tocar as estrelas do céu. Ao conseguirmos pegá-los, logo os colocávamos dentro dos vidros vazios. Maldade, aprisionar os bichinhos! Eles brilhavam por pouco tempo... logo sua luz se apagava pra sempre. Mas assim descobríamos também que, quando livres, brilhavam mais. Bastava o prazer de procurá-los, de seguir sua luz no escuro aqui... ali... aqui... lá... ali... aqui... e a noite se enfeitava de pontos brilhantes, era mágico!
Vinte e poucos anos depois, dei pela falta dos vaga-lumes. Há muito tempo não vejo nenhum... onde estarão?
Hoje é pouca a vegetação para eles se esconderem por aqui... há fábricas, postos de gasolina, avenidas com semáforos... talvez se inibissem com o brilho de tantas luzes.
Viraram, talvez, uma espécie em extinção...
Quem os avistar por aí, favor avisar! Preciso saber onde eles foram se esconder agora. Quantas crianças, ao invés de se isolarem com seus videogames e seus computadores, poderiam ser um pouco mais crianças se conhecessem um vaga-lume de verdade...
Às vezes, penso que não eram reais. Eram figuras da terra dos sonhos que se libertavam da imaginação e passeavam pelo mundo real, somente para quem tivesse os olhos suficientemente limpos, como crianças, para enxergá-los.
Vaga-lumes... eles sumiram na névoa do dia, ficaram no tempo passado junto com a minha infância.
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